A Ideia

A criação de uma Rede Europeia de Geopark é uma ideia incomum!

Por que se preocupar? Afinal, a Europa tem muitas redes de cooperação, mas essas redes funcionarão realmente? Além disso, trabalharão em temas partilhados? Ou será que todos têm o seu próprio projeto individual e simplesmente apresentam os resultados desse projeto aos outros parceiros, sem a criação de uma rede eficaz?

Esperamos que a cooperação a ser desenvolvida no âmbito da Rede Europeia de Geoparques seja diferente.

A ideia por trás da criação da rede surgiu na sequência de uma discussão entre duas personalidades incomuns, Guy Martini (da França) e Nicolas Zouros (da Grécia) e ocorreu quando ambos estavam longe de casa, em Pequim (na China). Eles conheceram-se no Congresso Internacional de Geologia em 1997, onde uma seção especial da conferência foi sobre o património geológico.

Como de costume, isso significa uma série de apresentações de estudos de casos individuais, documentando fenómenos geológicos extraordinários, afloramentos de diferentes áreas do mundo e exemplos sobre como protegê-los.

Não é incomum para os geólogos viajar tão grandes distâncias. No entanto, falar sobre o património geológico na época foi considerado progressista pois a ideia de património geológico ainda estava na sua infância. Apesar de algum trabalho já haver sido iniciado, aqueles que já trabalharam neste campo estavam frustrados na busca pela melhor comunicação entre os geocientistas e o público em geral, que se estava a mostrar uma tarefa difícil de atravessar. Isto levou à decisão destes dois geólogos ativos para iniciar os trabalhos de estabelecimento de uma rede.

Em particular Guy Martini aceitou o desafio de pedir à Comunidade Europeia, em Bruxelas, dinheiro para apoiar um estudo preliminar que teve como objetivo encontrar parceiros que partilhavam o ideal e para ajudar na preparação de um pedido de mais financiamento europeu. Neste primeiro desafio, ele conseguiu. Alguns trabalhos já foram realizados a nível regional, especialmente na França, por exemplo, na Reserva Geológica de Haute Provence, que já existe desde 1984.

Guy Martini foi quem deu ínicio à procura de potenciais parceiros por toda a Europa com quem partilhou os seus duplos objetivos de património geológico e de incremento da compreensão pública das ciências da terra, com um terceiro objetivo de usá-los para promover o desenvolvimento económico sustentável a nível regional.

Cedo descobriu que quatro regiões seguiam isoladas os mesmos objetivos: Haute Provence (na França), Maestrazgo/Teruel (em Espanha), Ilha de Lesbos (na Grécia) e Vulkaneifel (na Alemanha).

Esses grupos que, na sua maioria, não tinham conhecimento uns dos outros, acarinharam a ideia de trocar experiências e cooperar. Este foi um bom começo, mas para trazer a ideia de uma rede à concretização era essencial que esses quatro grupos partilhassem as mesmas ideais. Felizmente eles fizeram-no.

Como resultado destes quatro grupos fundou-se a Rede Europeia de Geoparques. No momento sentiram-se como Galileu, que disse: “… e, definitivamente, ele move-se”, mesmo que eles soubessem que era apenas o primeiro passo para uma longa e difícil caminhada.

“Como Galilei que disse… e, definitivamente, ele move-se!”

O primeiro objetivo por trás da sua vontade de cooperar é estar aberto para a troca de ideias, ter confiança na cooperação, tolerar as diferentes identidades, mas trabalhar em prol de soluções para permitir o desenvolvimento.

O segundo objetivo é usar as suas diferentes histórias geológicas e diferentes mentalidades nacionais para comparar os problemas e trabalhar para o desenvolvimento sustentável dos nossos recursos de paisagem para as gerações futuras.

O terceiro objetivo é que, a fim de desenvolver essas ideais, eles precisavam de outros membros para fazer crescer a Rede Europeia de Geoparques e ajudá-los a construir uma Comunidade Europeia de Regiões com um futuro sustentável.
* da Revista Geoparque Europeus No 1, p.4