Educação

Educação nos Geoparques Europeus

Os geoparques Europeus dão uma grande contribuição para a educação informal e formal, compartilhando os seus conhecimentos científico, histórico e cultural, capacidades e valores com os visitantes de todas as idades. No sentido mais amplo, os geoparques são centros de educação informal fornecendo aos turistas experiências informativas e agradáveis que incrementam a sua apreciação da paisagem e da cultura. Eles também criam uma compreensão da necessidade de fazer a gestão do acesso a sítios populares, a fim de minimizar os danos no meio ambiente e preservar o património natural e geológico para as gerações futuras. Os geoparques também servem como laboratórios ao ar livre para a educação e pesquisa formal e tradicional em que os principais grupos-alvo são alunos e estudantes universitários. Essas atividades educativas podem melhorar as capacidades transferíveis dos indivíduos e, assim, contribuir indirectamente para as suas perspectivas sociais e económicas.

A comunicação informal do conhecimento é uma atividade comum a todos os geoparques. As exposições em centros de informações e museus locais costumam contar a história da História da Terra e reportam a geologia dos geoparques, história natural, arqueologia e cultura através de painéis e imagens visuais, às vezes acompanhado por livros e folhetos. O Geoparque Terra Vita, na Alemanha, por exemplo, concilia os interesses dos turistas e dos cientistas, usando o conceito de cenografia para exposições no seu Centro de Informação. Este geoparque também está a investigar o potencial de utilização de alta tecnologia no jogo de caça ao tesouro geocaching como uma nova abordagem para incentivar os visitantes a aprender sobre a paisagem. A área de exposição na sede do Geoparque de Luberon, França, permite aos visitantes apreciar a sua paisagem e história geológica e compreender a necessidade de conservação do património da Terra preservado em rochas, fósseis e minerais.

Ao enfatizar o seu património geológico único, os geoparques atraiem geoturistas que desejam desenvolver o seu conhecimento e apreciação da geologia e geomorfologia de um território. De forma a dar resposta a este interesse especial, desenvolve-se a concepção de páginas web com informações geológicas e geomorfológicas detalhadas, e a produção de folhetos, guias e painéis de interpretação dos geossítios, permitindo aos geoturistas aprimorar os seus conhecimentos através de experiências no local. Os geoturistas também podem ter uma noção da importância dos geossítios dentro de um contexto mais amplo, seguindo trilhos geológicos e através da leitura de mapas geológicos em guias de observação da paisagem; por exemplo, “Explorar a paisagem de Assynt”, é um guia de caminhantes para o Geoparque North West Highlands, na Escócia. O Geoparque Sobrarbe, Espanha, fornece “pistas” ao longo do ciclo de trilhos que permitem ao geoturista reconstruir a história geológica do geoparque. No entanto, mesmo se os geosstios sejam interpretados pensando em geoturistas, outros visitantes a estes locais não podem deixar de ficar fascinados ao saber que estão sobre paisagens que, no passado, como é revelado pela sua geologia, estiveram situadas a diferentes latitudes, climas e ambientes ou expostas a altas temperaturas, pressões e forças de deformação, de quilómetros abaixo da superfície.

Além de fornecerem ferramentas de interpretação para geoturistas, os geoparques também atendem a uma ampla gama de interesses turísticos, incluindo o ecoturismo, a história cultural, a arqueologia e a arqueologia industrial. Servindo esses interesses também exige o fornecimento de folhetos tamáticos ilustrados, painéis específicos do local ou a inclusão de informações não geológica e a interpretação em painéis erguidos nos geossítios.

No campo da educação formal, os geoparques são destinos ideais para escolas e cursos universitários que necessitam de experiências de trabalho de campo. Estes também são fornecedores de materiais e serviços para professores e podem servir como centros de formação profissional. Por exemplo, a Universidade de Cardiff utiliza o Geoparque Fforest Fawr, no País de Gales, para a formação de estudantes em Geociências Ambientais, no mapeamento geológico e análise da qualidade da água nos ribeiros. O Geoparque Swabian Albs, na Alemanha, descreve um programa em que os alunos do ensino secundário escolheram dois geossítios para projetarem e desenvolverem painéis.

Este é um exemplo de que os alunos adquirem competências transferíveis através da investigação, a recolha e selecção de dados, interagindo com a equipa da Universidade de Tübingen e entrando em contacto com as comunidades, proprietários e autoridades envolvidas na conservação dentro do geoparque. O projeto GeoBox foi desenvolvido pelo Geoparque Eisenwurzen, Áustria, para crianças em idade escolar, com um programa de pesquisa focado na erosão, transporte e deposição de sedimentos fluviais, permitindo familiarizar-los na disciplina de desenho do projeto e criação de uma exposição. Em Portugal, os conceitos de geossítios e do património geológico estão inseridos no currículo escolar e os módulos sobre geoconservação são inseridos nos cursos de graduação de diversas universidades. Consequentemente, as equipas dos Geoparques Naturtejo e Arouca proporcionam atividades de sala de aula e organizam visitas de estudo para as escolas. A importância do ciclo da água na circulação da água subterrânea e usos fornece os geoparques com um tema multidisciplinar e atraente para a educação ambiental. Projetando e disseminando ferramentas geo-educativas que também são atividades importantes do Geoparque. Por exemplo, o programa ‘Geokids’ no Geoparque Bergstrasse-Odenwald, na Alemanha, é um programa interativo para crianças dos 8 aos 12 andos, fornecendo aos professores informações durante as semanas do projeto, um dia de passeios pedestres e projetos ao ar-livre. O Geoparque Norte Pennines AONB, na Inglaterra, através do seu projecto RockWorks, gerou planos de aula, fichas de trabalho e 20 ‘caixas de rochas’ que permitem aos professores usar a geologia e a paisagem da região no fornecimento de componentes do Currículo Nacional da Inglaterra. O Centro de Formação Profissional do Museu de História Natural da Floresta Petrificada de Lesbos, na Grécia, oferece formação para jovens adultos desempregados nas técnicas de escavação e preservação de fósseis, gestão de visitantes e na promoção de geoparques.

Os Geoparques Europeus são constantemente desafiados a aumentar o número de visitantes, proporcionando experiências agradáveis, estimulantes e memoráveis. Cumprindo os interesses dos turistas que procuram o conhecimento, bem como satisfazer as aspirações educativas dos estudantes de todas as idades que podem contribuir significativamente para esse objectivo. A cooperação entre os Geoparques Europeus através da partilha de boas práticas na oferta turística ligada à educação informal e o desenvolvimento dos geoparques como destinos para a educação formal podem ser um fator significativo no crescimento económico e cultural de uma região.